sexta-feira, 28 de agosto de 2015

PROPOSTA DA TMI: TENTATIVA DE "DIÁLOGO" ENTRE O CRISTIANISMO E O MARXISMO?

É mais do que perceptível a quantidade de evangélicos que tem se deslumbrado com as propostas da TMI (Teologia da Missão Integral). Inclusive, já tenho notícias de que pastores, sendo alguns presbiterianos estão cedendo seus púlpitos para este movimento teológico.

As grandes vertentes heréticas e seitas que surgiram dentro da Igreja não vieram revelando as suas reais intenções e ideias. Todas se apresentaram travestidas, disfarçadas de um "cristianismo" simpático e aparentemente subserviente aos fundamentos da fé cristã.

Mas, a primeira coisa que nos é perceptível quando eles se infiltram em nosso meio é como manifestam esta aparente submissão. inicialmente, eles aceitam tão facilmente e deliberadamente a nossa doutrina, sendo isso  motivo de muita desconfiança e atenção dobrada. Esta é a prova de que eles não se submetem por convicção, mas com intenções ocultas e maléficas. Eles o fazem de forma pragmática.

Quando o gnosticismo se infiltrou na igreja primitiva, Paulo havia alertado Timóteo de que estes hereges estavam se infiltrando sorrateiramente, discretamente, desapercebidos pela liderança, entrando nas casas das viúvas e de mulherinhas sobrecarregadas de pecados. E o que mais agravava a situação é que esta mulheres ouviam, ouviam, e ouviam as instruções de seus presbíteros, mas, não obedeciam, não compreendiam a necessidade de se submeter as Escrituras por uma questão de consciência (2Tm 3: 6-7). Neste contexto, Paulo diz que elas eram o auto falante dos gnósticos. Com muita paciência e estratégia, ao longo de 150 anos, eles acabaram ganhando espaço na igreja até o século IV. 

Pragmaticamente talvez falassem aquelas mulherinhas? "As nossas ideias não são perigosas as doutrinas dos apóstolos. Pelo contrário, nossa doutrina dialoga com a deles". Em suma, era isto que em todos os seus discursos e assédio intelectual os gnósticos diziam. 

No presente século, a mesma estratégia esta sendo aplicada só que, agora não estamos lidando com uma heresia ou mero desvio teológico, estamos falando de uma ideologia que se manifesta em seu discurso e prática em todas as esferas do pensamento e da vida humana. Eu tenho a forte impressão de que esta é a mais pesada e terrível de todas as ideias e pensamentos que se posicionam contra a fé cristã. Estou falando do marxismo. 

Aquelas mulherinhas de 2a Timóteo 3: 6-7 me reportam a fragilidade e a exposição em que membros e algumas igrejas locais estão expostas a mentalidade marxista. Mesmo sabendo da "herança maldita" do marxismo na história da humanidade, e que, claramente que os comunistas assassinaram brutalmente mais de 100 milhões de pessoas em um período de pelo menos 80 anos, ou seja, este foi considerado pelo filósofo existencialista Jean-Paul Sartre o século mais sangrento e violento da história, ainda assim, muitos cristãos estão como estas mulherinhas de Éfeso. Ainda acham que é possível associar as Escrituras, ou, ao menos dialogar com o marxismo. 

Os evangélicos no Brasil, em especial o movimento da TMI, Teologia da Missão Integral, acreditam nesta utópica possibilidade remota. O mais angustiante, é que não perceberam que estão paquerando, flertando (pelo menos por enquanto) e beliscando com a unha uma "besta fera" que em tempos passados já demonstrou do que é capaz de fazer. 

Mas, veja que interessante. O marxismo como ideologia se apresentou no final do século dezenove e início do século vinte como "Comunismo". Não deu certo. A expressão comunismo remete a nossa mente a algo semelhante ou muito pior que o holocausto e o nazifascismo (que por honestidade histórica, eram marxistas e socialistas) da segunda grande guerra. 

Bom, o que eles fizeram? Primeiro, se infiltraram no campo das ideias e mudaram a nomenclatura. De comunismo se intitularam de socialistas, ou, como soa mais bonito, são progressistas. Como é do feitio de qualquer ideologia anti cristã ou heresia, eles se apresentam como um marxismo mais dócil, domado, "amigável". Que não faz mal a ninguém e que pode "dialogar" com os pressupostos cristãos. 

Aqui vai um exemplo histórico disto. Pacto de Lausanne, Suiça, em 1974. A tentativa de associar uma mentalidade socialista com o evangelho. Em minha opinião, conservadores e liberais se reuniram para negociarem princípios em detrimento da unidade politico-eclesiástica e terrena dos protestantes no mundo. A ideia era dar uma nova configuração a teologia protestante. Ela estava muito conservadora e se confundia com uma mentalidade supostamente mais radical e extremista causando uma "péssima impressão" a sociedade do século vinte.

O ponto cinco (que trata da responsabilidade social da Igreja) do documento redigido, aprovado e assinado por diversos líderes e teólogos representando diversas igrejas em pelo menos 150 países chega a afirmar que a Igreja pecou contra Deus por ter feito distinção teórica e prática da evangelização e da ação social [1]. A partir daqui, evangelização (que claramente é uma atividade espiritual) e ação social (em uma perspectiva progressista e liberal) passam a se fundir de forma pragmática nas diversas igrejas locais e as principais denominações evangélicas no mundo. 

A "negociação", quero dizer, o diálogo entre estes dois grupos abriu grande precedente para uma nova mentalidade evangélica relativista e inevitavelmente socialista. Mas, entenda que isto não provocou mudanças da noite para o dia. Estas sutis afirmações abriram portas e janelas para que hoje, os articuladores da ideologia marxista nas igrejas levantassem a bandeira de uma igreja mais "sensível" as necessidades materiais do ser humano. Igreja atuante e espiritual não é aquela que preza pelo conhecimento fiel da sã doutrina, mas, agora passa a ser aquela que promove ou dá mais ênfase em um evangelho mais social. 

Aqui tivemos a primeira mudança: "a Igreja não muda a sua forma de pensar, mas, ela deve sempre reavaliar a sua atuação em cada período histórico em que ela está inserida." Sutilmente, a mudança foi pelo viés pragmático. Eis a constatação desta nova mentalidade socialista e marxista na Igreja: "O que adianta evangelizar sem dar o pão aos necessitados?" Que relevância prática a minha igreja tem se ela não atende as necessidades práticas das pessoas a sua volta?"

O que os marxistas fizeram, foi apenas, neste primeiro momento, arar a terra no campo intelectual de muitos lideres e membros de igrejas evangélicas. Agora, eles estão semeando por meio destes interlocutores do meio evangélico brasileiro o marxismo travestido de socialismo gospel. A fala deles é muito clara: "precisamos dialogar, ouvir, tolerar, respeitar, outros pensamentos, ideias, filosofias, ideologias que buscam dar respostas honestas e sinceras sobre qual é o sentido da vida." Fala do senhor Ariovaldo Ramos

A TMI (Teologia da Missão Integral) está aos poucos revelando esta proposta de negociação entre a Bíblia e a ideologia marxista. É o próprio propagandista da TMI, Ariovaldo Ramos quem propõe aos teólogos conservadores "trocar de óculos" para uma melhor reflexão e compreensão de suas propostas. A impressão que tenho é que você, caro leitor, deve tirar o "óculos" das Escrituras e colocar o "óculos" de uma outra hermenêutica. Talvez, você deva usar a hermenêutica do marxismo.

Veja o que ele mesmo declara: "Eu sou ortodoxo, juro que sou! Mas, Eu não uso óculos dos ortodoxos. Eu uso o óculos da ciências sociais. Eu também uso o óculos da teologia da práxis" Bom, aqui constatamos as reais propostas desta heresia apresentando sua verdadeira face, já que, a expressão praxis, originou-se entre os teólogos da teologia da libertação.

Sem medo de errar, claramente o que está sendo proposto aos evangélicos é que adotem esta mesma teologia só que em uma roupagem, forma e adorno evangelicalista. Não há cenário econômico, politico e social tão oportuno em nosso país para que esta mentalidade antibíblica bata na porta de nossas igrejas e a consciência de nossos membros.  
    
A única conclusão que posso fazer sobre esta questão é que muitas igrejas locais são como estas mulherinhas seduzidas por estranhos que batem a sua porta para oferecer produtos de origem duvidosa. E, infelizmente, as "mulherinhas" sobrecarregadas de pecados que aprendem, mas, nunca chegam a pleno conhecimento da verdade estão sedendo a esta sedução ideológica. Me refiro a Igreja deste século. A esposa de Cristo que é teimosa e que não está atenta a voz do seu Esposo.  

No avanço do marxismo no século vinte, os cristãos foram tratados como inimigos mortais já que a posição de ambas, claramente se manifestavam agressivamente opostas em seus pressupostos. Mas, temo que no século vinte e um, muitos cristãos e igrejas, ao longo do tempo, se tornem os responsáveis pelo ressurgimento desta ideologia só que agora de forma muito mais agressiva e violenta.  

 [1] Da Responsabilidade social da Igreja: Afirmamos que Deus é o Criador e o Juiz de todos os homens. Portanto, devemos partilhar o seu interesse pela justiça e pela conciliação em toda a sociedade humana, e pela libertação dos homens de todo tipo de opressão. Porque a humanidade foi feita à imagem de Deus, toda pessoa, sem distinção de raça, religião, cor, cultura, classe social, sexo ou idade possui uma dignidade intrínseca em razão da qual deve ser respeitada e servida, e não explorada. Aqui também nos arrependemos de nossa negligência e de termos algumas vezes considerado a evangelização e a atividade social mutuamente exclusivas. Embora a reconciliação com o homem não seja reconciliação com Deus, nem a ação social evangelização, nem a libertação política salvação, afirmamos que a evangelização e o envolvimento sócio-político são ambos parte do nosso dever cristão. Pois ambos são necessárias expressões de nossas doutrinas acerca de Deus e do homem, de nosso amor por nosso próximo e de nossa obediência a Jesus Cristo. A mensagem da salvação implica também uma mensagem de juízo sobre toda forma de alienação, de opressão e de discriminação, e não devemos ter medo de denunciar o mal e a injustiça onde quer que existam. Quando as pessoas recebem Cristo, nascem de novo em seu reino e devem procurar não só evidenciar mas também divulgar a retidão do reino em meio a um mundo injusto. A salvação que alegamos possuir deve estar nos transformando na totalidade de nossas responsabilidades pessoais e sociais. A fé sem obras é morta.